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Trinta por uma linha

Amizade de trazer por casa

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Rara é a noite em que não recebo algum amigo em minha casa. Ou para ver um jogo de futebol, um filme ou apenas para conversarmos. Poucos são os fins de semana, por outro lado, que não convidamos alguém para jantar. A minha esposa gosta de cozinhar, eu ajudo na restante logística e lá organizamos outra noite no conforto do nosso lar. Desde muito novos, fomos habituados a estar com os amigos quase todos os dias, especialmente ao fim de semana e, talvez por isso, achamos que não era por nos casarmos e passarmos a viver juntos que isso haveria de deixar de acontecer. As pessoas admiram-se e os próprios convidados dizem-nos muitas vezes que não acham normal a quantidade de vezes que vêm a nossa casa. Nós achamos perfeitamente normal e, contrariamente ao que se possa pensar, também não é por não nos suportarmos um ao outro que convidamos alguém. Ainda que o casamento tenha um pouco menos de dois anos, isto é, é ainda muito recente, como qualquer casal gostamos de estar sós e de termos os nossos momentos. Por outro lado, e como também já referi, eu e a minha esposa damos muito valor à amizade. Desde cedo aprendemos a viver as alegrias e tristezas dos nossos amigos como se fossem nossas, dando-lhes apoio quando precisam ou festejando com eles quando se justifica. Olhamos para o conceito de amizade como sendo nuclear nas nossas vidas, sentimos que se não formos capazes de partilhar, se não nos mostrarmos disponíveis para os que nos são próximos, não estaremos a ser justo para com a nossa natureza humana. Nascemos para vivermos rodeados uns dos outros e as nossas vidas tornam-se, de facto, mais preenchidas se tivermos quem nos ajude quando precisamos, se tivermos quem nos faça companhia quando nos sentimos mais sós. Não gostamos de falhar com os nossos amigos e queremos para eles tanto como queremos para nós. Sabemos que só assim, vivendo uma vida de partilha e solidariedade sentiremos a vida em pleno. Ao nos fecharmos, mesmo sem querermos, deixamos um vazio que precisa de ser preenchido e não é com virtualidades que o conseguiremos. Para sentirmos o nosso ser em pleno, precisamos de nos abrir, de estar dispostos a dar, a estender uma mão, a oferecer um abraço. Só assim, estaremos a viver no verdadeiro sentido da palavra. Quando se escolhe viver de si e para si, algo de muito errado se passa, as prioridades estão trocadas, pois só rodeado de quem gostamos conseguiremos ser verdadeiramente felizes.

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