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Trinta por uma linha

Amor, um verdadeiro Hallelujah?

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Não há nada como começar a semana a escrever sobre uma das minhas músicas preferidas. Uma das mais ricas, simbólicas e autênticas que alguma vez foram compostas. Falo de Hallelujah composta por Leonard Cohen e, posteriormente, adaptada por Jeff Buckley. Na minha opinião, esta é uma das mais sinceras definições de amor que já alguma vez ouvi e que vem na linha do que tem vindo a ser aqui discutido em alguns dos meus últimos textos.

 

 

 

A mensagem da música é clara. Recorrendo a duas histórias bíblicas, o compositor revela a sua opinião acerca do que é o amor, ou por outras palavras, em que consiste viver o amor. Em primeiro lugar, há uma referência à história do Rei David. O assassino de Golias apaixona-se por Betsabeia, esposa de um dos seus soldados. David apressa-se a enviar esse mesmo soldado para a frente da batalha, de modo a que morra e ele possa desposar a sua mulher. Como seria de esperar, a história não acaba bem para o lado do Rei David. De seguida, é-nos referida a história de Sansão e Dalila. Como se sabe, Sansão apaixona-se por Dalila que o acaba por trair, depois de descobrir que a fonte do seu poder é o seu cabelo comprido. Assim, ela convence-o a cortar o cabelo (ou ela própria o corta, segundo algumas fontes) e este fica sem os poderes. Partindo destas duas histórias e das suas metáforas, o compositor afirma muito abertamente: "Love is not a victory march/ It's a cold and it's a broken Hallelujah". E é aqui que, na minha opinião, está o núcleo e a beleza da mensagem. Este verso deveria ser, para mim, o ponto de partida para qualquer reflexão sobre as relações amorosas. Todos sabemos que Hallelujah significa a exaltação de algo bom, uma demonstração de contentamento. Ora, e existirá algo, nas nossas vidas, mais valioso que o amor? Ainda assim, o amor não é uma marcha vitoriosa, não é um mar de rosas como se costuma dizer. Há obstáculos, há percalços, há sofrimento, mas é amor e, por isso, é também alegria. Numa tradução tosca, quase literal, o amor é um aleluia frio e sofrido, é júbilo, é contentamento, mas é também dor e sofrimento. Seria muito melhor se tudo fosse perfeito, se tudo corresse bem, mas concordemos que, se assim fosse, não teria a mesma beleza, nem lhe atribuiríamos o mesmo valor.

 

 

 

Deixo-vos com a música, referindo apenas que, enquanto houver seres capazes de produzir obras com esta beleza, nós nunca seremos capazes de deixar de amar.

 

 

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