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Trinta por uma linha

Arte? Mas que arte?

Life-imitates-are-far-more-than-art-imitates-life.

 

Sempre tive uma opinião muito bem definida no que à génese de qualquer obra de arte diz respeito. A literatura, que é de todas as artes aquela que mais me alicia, não foge à regra. A meu ver, mesmo aceitando que toda e qualquer criação do homem é, de facto, influenciada pela sua vida, pela sua capacidade para ler e desconstruir a realidade, é de todo desprovido dizer que a relação entre estas duas dimensões, a do sujeito que vive e a do sujeito que cria, assume uma disposição de causa-efeito. Não há nada mais injusto e injurioso para o mundo das artes. A Arte tem vida própria. Só pode ser vista como algo que nos ultrapassa. Não é instrumento de nada nem de ninguém. Nunca a Arte pode servir como meio para algo, não tem meio nem fim, é um prefácio que serve unicamente a Beleza, sendo aí que encontra o seu prólogo e o seu epílogo. Assim, não somos nós que criamos a Arte, é ela que nos cria, que nos escolhe e deixa que a possamos contemplar, de forma a que não nos seja tão difícil viver. Desta forma, na literatura ou em qualquer outra arte, não pode haver deveres ou coacções, tudo aparece quando tiver de aparecer, sem marcações ou datas de entrega. As nossas produções precisam de ser livres e libertinárias, pois só assim serão elas próprias. Obviamente que haverá quem não concorde comigo, e ainda bem que assim é. Porque cada um vive de acordo com a sua própria crença (entenda-se aqui crença como um conjunto de sentimentos que, pela sua força, se tornam as convicções que acabam por definir a nossa forma de viver) e esta é a minha. Desta forma, escrevo quando acordo bem disposto, só leio quando o tempo metereológico me diz que devo ler e só quero ouvir música quando as Três Marias estão alinhadas.
Acredito em Musas, intentos, vontades e alentos, porque de cada vez que me sento para escrever algo, é porque me sinto predisposto para o fazer, sinto um querer determinado a sair e a respirar com mais espaço. A Inspiração é para mim um axioma, assim como um verdadeiro dogma que me mantém refém durante a maior parte do tempo e que, de quando em vez, me deixa ver, ainda que de muito longe, a luz que me vai permitindo contemplar a tal Beleza.

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