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Trinta por uma linha

Entrevista exclusiva a Miguel Araújo

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A imagem pode ter direitos de autor.

 

 

Há pessoas que apesar do que representam na sociedade, não obstante serem artistas reconhecidos, constantemente a receber requisições pelos mais variados meios, nunca abandonam o seu lado humilde e estão sempre prontas para as solicitações que surgirem. Mesmo que venham da parte de um bloguezito, com um mês e meio de vida e sem peso absolutamente nenhum na comunicação social. Por isso, agradeço desde já a prontidão com que aceitou o meu repto e a disponibilidade imediata que demonstrou. Um sincero obrigado, Miguel Araújo.

 

De seguida, transcreve-se na íntegra a entrevista.

 

Boa tarde, Miguel. Sou professor de português e escrevo diariamente no blog 30porumalinha.blogs.sapo.pt. Como as letras das suas músicas são constantemente abordadas em diversos posts quer por mim, quer através dos comentários, gostaria de saber se era possível publicar uma curta entrevista em que abordasse o teor das letras das suas canções, as inspirações, os temas, no fundo, a produção escrita em geral, uma vez que este é um dos aspectos em que mais se destaca. Seria interessante, uma vez que o blog anda à volta da produção literária e da génese da criação artística, bem como as relações humanas. Seriam três ou quatro perguntas. Algo bastante simples.

 

Miguel - Claro, mande as perguntas.

 

Como tudo começou? Quando começou a perceber que tinha um certo jeito para a escrita?

Miguel - Eu comecei por escrever letras duma forma consistente nos primórdios dos azeitonas. Como nessa altura os azeitonas eram um projecto assumidamente satírico, as letras não iam além da paródia a tudo aquilo que eu considerava piroso. Existia por um isso um distanciamento confortável entre eu e aquilo que eu escrevia. Isso permitiu-me desenvolver o meu "músculo" de uma forma despreocupada. Foi através desse trabalho que eu fui começando a achar que tinha competências para escrever.

 

Escreve letras para um número considerável de artistas portugueses, sempre com grande sucesso, em que se inspira para escrever para estilos tão diferentes?

Miguel - O que me inspira a escrever para outras vozes são essas outras vozes.

 

Considera a produção artística em geral resultado de algo inato ou algo que é fruto de trabalho e de muita prática?

Miguel - Eu trabalho muito, de uma forma obsessiva e continuada. Acho que mesmo a dormir. Faço isso porque preciso. Se tivesse mais jeito, mais facilidade, talvez não precisasse de dar assim tanto no duro. Mas de uma forma geral há uma parte do meu cérebro que pensa em palavras, melodias e ritmos 24h por dia.

 

Nas suas letras, fala-se da cultura pop, como se tratasse de algo erudito, como consegue essa simbiose tão inesperada?

Miguel - Eu não procuro nenhum estilo em específico, nem ando atrás dessa simbiose. O que me leva a escrever sobre as coisas corriqueiras do dia a dia são as coisas corriqueiras do dia a dia em si.

 

A escrita é para si um hábito disciplinado ou um momento de inspiração rebelde que surge por sua própria vontade?

Miguel - Acho que ambos. As coisas melhores aparecem numas golfadas momentâneas, mas golfadas essas que têm seguimento e consequência através de um trabalho disciplinado que imponho a mim próprio.

 

Há alguma letra que tenha uma história especial ou inesperada por trás?

Miguel - Depende das letras, mas claro que todas elas têm a sua própria história.

Espero ter sido útil! Abraço

 

E pronto, não deu para mais, mas ficamos a conhecer um lado diferente de Miguel Araújo, o lado do artista que trabalha e que nos mostra, sem qualquer pudor, que sem um empenho e um esforço contínuo é difícili alcançar o sucesso. Uma verdadeira lição para mim e, creio, que também para os leitores. Há que correr atrás dos nossos sonhos, trabalhar diariamente em função deles, nunca desistir de lutar. A recompensa acaba sempre por nos alcançar. 

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