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Trinta por uma linha

A força dos laços de amizade

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Dou muitas vezes comigo a pensar que isto das relações humanas, nomeadamente no que toca a amizade, tem muito que se lhe diga. É algo complexo, por vezes, até difícil de perceber, e doloroso pelo sofrimento que casualmente nos provoca. Todavia, é, sem dúvida algo muito forte, que nos marca durante toda a nossa vida. 

 

Ora, chego a esta conclusão quando, mesmo passados longos períodos de tempo, como, por exemplo, vinte anos, me continuo a lembrar de coisas que fazia com os meus colegas de infância como se fosse ainda hoje. Alguns desses meus amigos já não estão comigo há muitos anos e ainda assim parece que os conheço como se estivesse estado com eles ontem. Daí eu dizer que a amizade tem de ser considerada algo realmente forte e os seus laços marcantes para que isto aconteça. Só um sentimento assim poderoso nos marca e molda desta maneira, acabando por nos ajudar a definir quem nos tornamos. Assim sendo, e porque eu não me imagino a viver sem o conforto da proximidade dos meus amigos, defendo que devemos valorizar a amizade. Não no sentido literal do tema, porque isso já toda a gente o faz. Devemos-lhe atribuir valor no sentido do que ela representa para nós e para o que, por vezes, não representa para os outros. Devemo-nos preocupar com a nossa amizade em específico, mas também com a dos nossos colegas e dos nossos futuros filhos, assumir que os momentos que passamos com os nossos amigos são dos mais ricos que temos, dos que ficam cravados na nossa memória e cujas histórias um dia contaremos aos nossos netos. A amizade, quando verdadeira e autêntica, é a relação humana mais pura e desinteressada, pois quando existe na sua plenitude, fica-se feliz por dar, sem estar à espera de receber, sentimo-nos em paz por saber que existe alguém que estará de sorriso rasgado quando nós lhe falarmos de qualquer um dos nossos problemas, alguém que pensa em nós tanto quanto nós pensamos neles e que fará tudo o que está ao seu alcance para não nos desiludir. 

 

E, por isso, valorize-se a amizade, ensine-se a ser amigo, estimemos os nossos atuais amigos e prezemos aqueles que o ainda virão a ser, pois são das coisas mais valiosas da nossa vida. 

O que as nossas amizades revelam de nós

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Miguel de Unamuno dizia que "cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmos. " Ainda que a considere algo egoísta, gosto desta perspetiva de olharmos as nossas relações de amizade. Quando estou com os meus amigos, vou-me conhecendo a mim próprio e isto acontece, porque a forma como nos relacionamos com eles diz muito da nossa personalidade. Se somos capazes de manter relações duradouras e que permanecem ao longo dos anos, quer dizer que somos pessoas que persevamos os laços que nos unem e que não é a distância ou qalquer outro tipo de vissicitude que nos vão afastar. Por outro lado, se precisamos de um amigo que seja o nosso balde do lixo, isto é, que seja o recipiente de todos os nossos problemas e lamentações, estamos a demonstrar um profundo egoísmo da nossa parte. Não estamos a dar importância à pessoa em si, mas ao que ela representa para nós. Por outro lado, esse amigo que aguenta as nossas queixas, dando-nos conselhos e nunca falando dos seus problemas, demonstra uma grande dose de altruismo. Outros casos há em que as amizades revelam, em nós, facetas que nós desconhecemos, tal como Unamuno refere. Todos temos amigos que revelam qualidades que nós admirámos profundamente. De tal forma que os queremos imitar. Numa situação que se passou comigo, tenho um amigo que mostrou ser possuidor de uma grande resistência e resiliência ao levar a cabo um projeto bastante complexo. Silenciosamente, eu admirava a persistência que ele colocava nesse seu projeto e que fazia com que, apesar das adversidades, ele não desistisse. Ora eu quis saber se possuía uma resistência semelhante à do meu amigo. Decidi, então, levar a cabo esta empreitada de começar um blog onde colocasse um post por dia e até agora ainda não me desiludi. 

Há uma razão para estar a falar disto, nesta data. O blog celebra hoje o seu primeiro mês de existência e eu descobri, através de uma das minhas amizades, que também possuo alguma persistência, pois consegui publicar até hoje trinta e um posts. É uma experiência nova, trabalhosa, mas, ao mesmo tempo, enriquecedora e reconfortante, pois permite-nos partilhar os nossos pensamentos, opiniões e crenças.

 

Aos que me vão acompanhando, obrigado pela fidelidade e também persistência que vão demonstrando ao suportar as contendas da minha alma.

Amizade de trazer por casa

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Rara é a noite em que não recebo algum amigo em minha casa. Ou para ver um jogo de futebol, um filme ou apenas para conversarmos. Poucos são os fins de semana, por outro lado, que não convidamos alguém para jantar. A minha esposa gosta de cozinhar, eu ajudo na restante logística e lá organizamos outra noite no conforto do nosso lar. Desde muito novos, fomos habituados a estar com os amigos quase todos os dias, especialmente ao fim de semana e, talvez por isso, achamos que não era por nos casarmos e passarmos a viver juntos que isso haveria de deixar de acontecer. As pessoas admiram-se e os próprios convidados dizem-nos muitas vezes que não acham normal a quantidade de vezes que vêm a nossa casa. Nós achamos perfeitamente normal e, contrariamente ao que se possa pensar, também não é por não nos suportarmos um ao outro que convidamos alguém. Ainda que o casamento tenha um pouco menos de dois anos, isto é, é ainda muito recente, como qualquer casal gostamos de estar sós e de termos os nossos momentos. Por outro lado, e como também já referi, eu e a minha esposa damos muito valor à amizade. Desde cedo aprendemos a viver as alegrias e tristezas dos nossos amigos como se fossem nossas, dando-lhes apoio quando precisam ou festejando com eles quando se justifica. Olhamos para o conceito de amizade como sendo nuclear nas nossas vidas, sentimos que se não formos capazes de partilhar, se não nos mostrarmos disponíveis para os que nos são próximos, não estaremos a ser justo para com a nossa natureza humana. Nascemos para vivermos rodeados uns dos outros e as nossas vidas tornam-se, de facto, mais preenchidas se tivermos quem nos ajude quando precisamos, se tivermos quem nos faça companhia quando nos sentimos mais sós. Não gostamos de falhar com os nossos amigos e queremos para eles tanto como queremos para nós. Sabemos que só assim, vivendo uma vida de partilha e solidariedade sentiremos a vida em pleno. Ao nos fecharmos, mesmo sem querermos, deixamos um vazio que precisa de ser preenchido e não é com virtualidades que o conseguiremos. Para sentirmos o nosso ser em pleno, precisamos de nos abrir, de estar dispostos a dar, a estender uma mão, a oferecer um abraço. Só assim, estaremos a viver no verdadeiro sentido da palavra. Quando se escolhe viver de si e para si, algo de muito errado se passa, as prioridades estão trocadas, pois só rodeado de quem gostamos conseguiremos ser verdadeiramente felizes.

A amizade segundo Oscar Wilde

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Prezo muito a amizade e, por isso, este texto é, para mim, uma verdadeira doutrina.

 

Loucos e Santos

 

“Escolho os meus amigos, não pela cor da pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila dos olhos.
Tem que ter um brilho questionador e uma tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espíritos, nem os maus de hábitos.
Fico com os que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero respostas, quero o meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isto, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho os meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só ombros e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim, metade maluquice, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, que e lutem para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças para que não esqueçam o valor do vento no nosso rosto; e velhos para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem sou.
Pois vendo os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos nunca me esquecerei de que a ‘normalidade’ é uma ilusão imbecil e estéril…”

 

Fica a recitação do texto original para que sintam a mensagem de forma mais autêntica.

 

 

 

 

 

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