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Trinta por uma linha

Uma questão de postura

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Enquanto professor, sinto que a minha função junto dos meus alunos não se esgota na transmissão de um conjunto específico de conhecimentos. Para mim, um professor tem de ser muito mais que isso, tem de ter a capacidade de convencer os seus alunos pela sua maneira de estar e também pelo exemplo que representa para quem tem à sua frente. O professor é, para os seus alunos, um modelo. Pode, no entanto, ser um modelo para o que querem ser, ou um modelo de tudo o que não querem ser. Tendo isso em consideração, e sem querer entrar no território dos seus pais, que se esquecem, com cada vez maior frequência, dos seus deveres de educadores, dou comigo a dar autênticos sermões aos meus alunos, ou pelo menos àqueles que ainda me ouvem. Quando digo sermões, não me refiro à aceção mais corriqueira da palavra que é a de algum tipo de repreensão, refiro-me antes a um tipo de discurso que pretende aconselhá-los sobre a sua conduta, o seu modo de ver a realide ou até a maneira como estabelecem as suas prioridades. Faço isso com alguma frequência e regra geral não tenho grande dificuldade em adequar os meus discursos à idade do auditório que tenho à minha frente. Uma das ideias, que tenho para mim, como uma das mais importantes a passar aos meus pupilos tem a ver com a postura deles. No início do ano, quando temos menos margem de manobra e não podemos ser moles, digo-lhes mesmo que dou muito valor à postura que eles têm nas minhas aulas. Nesse momento, eles não percebem o que realmente lhes estou a pedir e limitam-se a sentarem-se direitos nas suas cadeiras. À medida que o ano vai passando, eu vou desenvolvendo a ideia. Digo-lhes que a postura é muito mais do que estar sentado de forma correta, o que para muitos já é uma vitória. A postura é saber estar, saber o que dizer, quando o dizer e a quem o dizer. Postura é saber ocupar o nosso lugar quando isso se justifica ou saltar fora dele quando é necessário. "A postura é", digo eu aos meus alunos, "a melhor forma que vocês têm de mostrar, aos outros, o tipo de pessoas que vocês são." E acrescento mesmo: "O que vos ensino em relação à língua portuguesa ou à língua inglesa é muito importante para o futuro, o que aprendem nas outras disciplinas também. No entanto, o que realmente vos vai transformar ou não em alguém com sucesso na vossa vida não são esses conhecimentos, mas sim a vossa postura. A vossa forma de estar no vosso dia-a-dia. Até podem não ser tão bons a nível de conhecimentos e técnicas, mas se souberem conciliar o pouco que sabem com uma conduta certa, com uma postura correta, terão o sucesso que desejarem."

Digo-lhes isto, vezes sem conta, ao longo do ano. Se fica alguma coisa ou não, é impossível saber, mas eu tento, tento muitas vezes, e saio das minhas aulas de consciência tranquila.

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