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Trinta por uma linha

Um anjo na terra

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Como não poderia deixar de ser, neste dia vou dedicar o post de hoje à minha Dulcineia. Não há muito para dizer, sendo que muito do que há deve-lhe ser dito a ela e a mais ninguém. No entanto, há também que ser justo e dizer sem quaisquer rodeios o que ela representa para mim.

Muitas vezes dou comigo a pensar na sorte que tive em encontrar alguém assim. Poderá parecer um pouco bajulador da minha parte, mas garanto-vos, com a honra da minha palavra, que tudo o que aqui escrevo é o que sinto em todo o meu coração. Ora estava eu a dizer, que tive sorte em conhecer alguém assim. E foi mesmo sorte, porque o destino nos colocou a morar praticamente um ao lado do outro desde que ambos nascemos, só para garantir que não houvesse desvios na história que já estava escrita. Logo a partir daí, já não havia muito a fazer, conhecemo-nos desde novos e desde cedo nos tornamos amigos. Também não posso negar que não tinha sido obra da fortuna, o facto de sermos ambos muito parecidos na forma de pensar e de estipular as nossas prioridades. Só havia uma coisa que nos separava, ela era e é um verdadeiro anjo na terra, alguém com uma extrema bondade, inocente, mas segura de si, sempre pronta a perdoar e a fazer o bem aos que a rodeiam, nem que isso signifique prejudicar-se a si própria. Já eu, não tinha nem tenho uma ínfima parte da sua bondade, não sou muito bom a perdoar e apesar de gostar de ajudar os outros, também penso muito em mim próprio. O que vos estou a dizer agora é algo que sei desde muito novo e, por isso, percebi também desde muito cedo, que era por ali que o meu futuro deveria passar. E pronto, já sei que nesta altura os aduladores do amor à primeira vista me vão atacar, mas em minha defesa, posso dizer que não houve oportunidade para haver amor à primeira vista desde que nos conhecemos desde sempre, houve sim oportunidade para perceber que, mais cedo ou mais tarde, haveríamos de pertencer um ao outro, era como se estivesse escrito nas estrelas. E assim foi, no momento certo, quando se proporcionou, aproximámo-nos, amámo-nos e é assim até ao dia de hoje. O amor que sentimos um pelo outro é puro, mas quando temos ao nosso lado alguém tão bondoso, autêntico, carinhoso e que conjuga a beleza com tudo isso, as coisas tornam-se mais fáceis. E o que sinto é que estão cada vez mais fáceis e naturais. Tive sorte e agradeço todos os dias a quem a pôs no meu caminho. Só assim, sou hoje quem sou, só deste modo pude ser eu, um eu que não existiria se não houvesse nós. 

 

Resumindo, Essa miúda é a minha miúda!

 

 

 

Jeremias, o fora-da-lei

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Há músicas que conquistam a nossa empatia pela mensagem que transmitem, outras conquistam-nos pela beleza do seu instrumental, há ainda aquelas com as quais nos identificamos por falarem de determinado estado de espírito ou ponto de vista que partilhamos. No entanto, existem outras músicas, com que simpatizamos, não por nenhum dos motivos nomeados atrás, mas porque gostamos, sem saber bem porquê, dos personagens por elas trazidos e pela simbiose que eles criam com o instrumental que lhes serve de base.

No mundo da ficçção, sempre nutri uma especial empatia por aqueles criminosos e larápios que nos eram apresentados de uma forma quase poética pelos seus criadores. Como se a forma quase lírica com que eles nos eram apresentados nos fizesse gostar deles, mesmo que não aprovássemos o que eles faziam. Jeremias, o fora- da-lei de Jorge Palma, é um desses personagens. O produtor de bombas caseiras que as considerava eloquentes e que, ao contrário da maioria dos criminosos, não se sentia vítima da sociedade. Aquele que se vestia de negro, que gostava do quente da aguardente e da forma como os homens se engasgavam quando pronunciavam o seu nome. Jeremias ganha a nossa simpatia no imediato. Não pelo que representa, mas, uma vez mais, pela forma original como foi criado e pela criatividade com que nos foi apresentado. Eu gosto destes foras da lei, aqueles que só existem nos filmes e nas músicas.

 

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