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Trinta por uma linha

Entrevista com Salvador Sobral!

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O 30 porumalinha conseguiu entrar em contacto com o homem do momento da música portuguesa e que, apesar de estar em período de recuperação e de ser constantemente requisitado, conseguiu encontrar um bocadinho para falar ao nosso blogue. Fica a conversa e a música que têm andado nos nossos ouvidos

 

Conta-nos tudo. Como tem sido a tua vida nestes últimos dias, após a tua música ter sido selecionada para representar Portugal no Festival da Eurovisão?

Salvador - A minha vida tem sido um pouco caótica visto que estou a recuperar de uma cirurgia e tive muitas entrevistas. Foi um choque de repente, mas agora está a acalmar e os concertos que tenho feito têm corrido muito bem e isso é o importante, a música.


Fazendo um pequeno rewind, conta-nos como foi o teu percurso desde a tua aparição nos ídolos em 2009, até teres decidido participar no Festival da Canção?

Salvador - Depois do programa de televisão fui para Maiorca fazer erasmus. Quando estava lá acabei por trabalhar em bares, hotéis, restaurantes, a cantar. Tinha tanto trabalho que desisti do curso. Passado um tempo decidi que queria estudar jazz e fui para Barcelona. Depois de dois anos lá a estudar e a tocar vim para Lisboa onde comecei a trabalhar no primeiro disco. Em março do ano passado lancei-o e desde então que tenho vindo a tocar ao vivo as canções do disco e tenho também participado noutros projectos.


Na tua opinião, o que é necessário para se ter sucesso no mundo da música? Uma genialidade fora do comum no que diz respeito a qualidades musicais ou uma capacidade de trabalho fora do comum?

Salvador - Algo que distinga de tudo o que já existe; Gosto e sensibilidade; Ouvir muita muita Música; trabalho; uma pitada de sorte. Acho que é isso.


Quais são as tuas referências a nível musical?
Salvador - Chet baker; Billie Holiday; Silvia Pérez Cruz; Caetano Veloso


Quais são as perspetivas para o teu futuro, qual é o teu próximo passo?
Salvador- Quero começar já a trabalhar no meu segundo disco. E continuar a participar noutros projectos.


Várias casas de apostas colocam o teu tema como um dos favoritos à vitória final no Festival da Eurovisão. Consideras que será uma noite histórica para o nosso país?
Salvador - Não sei. Farei o que faço sempre. Cantarei a canção com o intuito de transmitir emoções ao público. Se isso acontecer já será para mim uma ótima noite!

 

Obrigado pela disponibilidade, continuação de rápidas melhoras e boa sorte para o Festival da Eurovisão e para o resto da tua carreira!

 

Musicando

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Não consigo viver sem música. Há quem não consiga viver sem comer bem, ou sem beber muito. Eu, sem nunca renunciar a nenhumas dessas necessidades básicas, considero que, na minha vida, a convivência com a música é muito mais importante que qualquer um desses actos tidos como capitais para a nossa sobrevivência. Percebendo que esta não é uma afirmação de fácil digestão, penso que a sua razão de ser está na repulsa que sinto por este conceito e pelos seus aderentes. Em momento algum serei um sobrevivente, aceitarei que a minha vida seja apenas uma junção dos actos que lhe são básicos. Nunca viverei para sobreviver. Daí o meu gosto pelos acordes, rimas e ritmos, solos e refrões, pelo timbre distinto que estes dão à nossa vida.
O facto de poder acordar com música, deixa-me com força para sentir o resto do dia que se aproxima de uma forma mais viva e intensa. Penso que toda as nossas experiências devem ser todas elas música, devemos tentar viver musicando. Cada segundo que passa é uma nota que flui, que dá cor ao ar que respiramos, por isso é tão importante que queiramos que os nossos dias sejam sinfonias perfeitas, cancões inabaláveis, com refrões intermináveis. É apenas uma forma de contemplar o viver. Estou certo que não é das formas mais produtivas e eficientes, pois não entra no discurso do mérito e da excelência, não há acorde que resista a esse discurso. Para mim, a música não é uma forma de sucesso, é uma forma de felicidade, é uma lágrima afortunada que perpassa por meio da nossa pele crescentemente enrugada pelo suceder dos dias.
Por tudo isto, penso que nos devemos agarrar a ela com todas as nossas forças, pela qualidade que esta empresta ao nosso viver, tendo sempre consciência que um acorde de Satriani ou um solo de Santana têm o poder de nos elevar, de nos mudar, de nos fazer querer viver, com cada vez mais intensidade, saboreando ao máximo aquilo que nos faz realmente felizes. Com ânimo, alma e brilho.

Ainda a propósito da ambição

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Quem me acompanha sabe que sou um distraído de primeira. Perco chaves facilmente, engano-me nas salas de aula, esqueço-me do telemóvel, deixo o guarda-chuva na escola, esqueço-me de pagar o café. Tudo isto tem uma explicação muito simples, a minha mente anda sempre a mil, não consigo pensar devagar, nem pensar como quero, nem no que quero. O meu pensamento, talvez como o de toda a gente, é extremamente rebelde, não me obedece e faz o contrário do que eu quero. Penso muito em muita coisa ao mesmo tempo e estou constantemente a fazer associações e conclusões, muitas delas precipitadas.

Num desses momentos, em que estava a tentar relaxar com um pouco de música no spotify, dei de caras com uma música que vai, de certa forma, ao encontro do post que fiz sobre a ambição desmedida. Fez-se logo a ligação no pensamento e tive de escrever isto para o sossegar. Talvez a música represente até o outro extremo do que critiquei no outro post, mas não quis deixar passar em claro e, porque adorei a mensagem e a musicalidade, quis partilhar, letra e música.

 

Quero a vida pacata que acata o destino, sem desatino
Sem birra nem moça que só coça quando lhe da comichão
E á frente uma estrada não muito encurvada, atras a carroça
Grande e grossa que eu possa arrastar sem fazer pó no chão

E já agora a gravata com um nó que me ate, bem o pescoço
Para que o tremoço, almoço e o alvoroço demorem a entrar
Quero ter um sofá e no peito um crachá quero ser funcionário
Com um cargo honorário, carga de horário, conta picada

Vou dizer que sim ser assim a sim assinar a rir readers digest
Ágeis de sonho que desde rebento acalento em mim
Ter mulher fiel, filhos fado anel e lua de mel
Em frança abranda na dança
Descansado ate ao fim

Quero ter um T1 ter um cão e um gato e um fato escuro
Barbear o rosto pagar o imposto estou disposto a tanto
Quem sabe a miúde brindar a saúde com um copo de vinho
Saudar o vizinho acender uma vela, ao santo

Quero vida pacata, pataca gravada, sapato barato
Basta na boca uma sopa com pão, com cupão de desconto
Emprego sossego renego chamego e faço de conta
Fato janota gota na conta e nota de conta

Vou dizer que sim ser assim a sim assinar a rir readers digest
Ágeis de sonho que desde rebento acalento em mim
Ter mulher fiel filhos fado anel e lua de mel
Em frança abranda na dança
Descansado ate ao fim

Vou dizer que sim ser assim a sim assinar a rir readers digest
Ágeis de sonho que desde rebento acalento em mim
Ter mulher fiel filhos fado anel e lua de mel
Em frança abranda na dança
Descansado ate ao fim
 

 

 
 

Jeremias, o fora-da-lei

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Há músicas que conquistam a nossa empatia pela mensagem que transmitem, outras conquistam-nos pela beleza do seu instrumental, há ainda aquelas com as quais nos identificamos por falarem de determinado estado de espírito ou ponto de vista que partilhamos. No entanto, existem outras músicas, com que simpatizamos, não por nenhum dos motivos nomeados atrás, mas porque gostamos, sem saber bem porquê, dos personagens por elas trazidos e pela simbiose que eles criam com o instrumental que lhes serve de base.

No mundo da ficçção, sempre nutri uma especial empatia por aqueles criminosos e larápios que nos eram apresentados de uma forma quase poética pelos seus criadores. Como se a forma quase lírica com que eles nos eram apresentados nos fizesse gostar deles, mesmo que não aprovássemos o que eles faziam. Jeremias, o fora- da-lei de Jorge Palma, é um desses personagens. O produtor de bombas caseiras que as considerava eloquentes e que, ao contrário da maioria dos criminosos, não se sentia vítima da sociedade. Aquele que se vestia de negro, que gostava do quente da aguardente e da forma como os homens se engasgavam quando pronunciavam o seu nome. Jeremias ganha a nossa simpatia no imediato. Não pelo que representa, mas, uma vez mais, pela forma original como foi criado e pela criatividade com que nos foi apresentado. Eu gosto destes foras da lei, aqueles que só existem nos filmes e nas músicas.

 

Pó de arroz

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Há músicas que tentam passar mensagens complexas, tentam esconder verdades obscuras ou até os segredos mais íntimos dos seus compositores. Outras há que nos desarmam de tão simples, sinceras e espontâneas que são. Há um grupo restrito de compositores que conseguem dizer tanto com pouco, e de uma forma tão descomplicada, que nos deixam sem palavras. A inocência e a naturalidade desta música fazem-me arrepiar de cada vez que a ouço. Em poucas palavras, Carlos Paião, aqui interpretado por Tiago Bettencourt, descreve de forma incrivelmente certeira uma parte fundamental dos relacionamentos humanos, a atração.

 

 

 

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