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Trinta por uma linha

Bárbara e Ken, um romance dos tempos modernos

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Por diversas vezes, já manifestei aqui a minha admiração por aqueles que conseguem, a partir do mais comum e corriqueiro da nossa língua, e abordando os assuntos mais banais e cheios de clichés, conseguem inovar, sendo criativos e originais. Felizmente para nós, temos muitos e bons artistas portugueses que o conseguem fazer com alguma facilidade e frequência. Sinto-me em dívida com este tipo de compositores, pelo prazer que me dão e pela genialidade que conseguem trazer à minha vida. Por isso, frequentemente, quando ouço uma música que me deixa especialmente fascinado com o que se consegue fazer, chego à conclusão que o melhor agradecimento que lhes posso fazer, aos artistas e às canções, é partilhá-los convosco, dar-vos a conhecer estas maravilhas, caso ainda não as conheçam, e divulgar aquilo que de melhor se faz por parte dos nossos artistas. 

Hoje, trago-vos uma banda sobre quem ainda não tive oportunidade de falar aqui no blogue, mas que está entre as minhas favoritas. Falo-vos dos Virgem Suta, um grupo que tem músicas mais originais do que estamos habituados a ouvir, com letras excecionais e que, com a sua simplicidade de palavras e ideias, nos conseguem dizer tanto.

Como não resisto a uma boa história de amor, escolhi uma música chamada Bárbara e Ken, que, na minha opinião é um verdadeiro romance dos tempos modernos. Para além de ter uma melodia belíssima, esta música traz-nos a narração de um romance, desde o seu início cheio de ilusões primaveris, passando pelas sobriedades outonais que vivemos, até chegar o gelo do inverno ao coração da relação. 

Um verdadeiro poema belo, sincero, original e muito atual sobre as nossas relações. Espero que gostem.

 

 

O Lamento de Jimmy Olsen

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Quem me conhece sabe que sou um adepto fanático de banda desenhada e Super-heróis. Cresci a ler as mais recentes edições do Batman e do Superman e, quando se chegava o fim de semana, o meu pai já sabia que tinha de me levar ao clube de vídeo para eu poder alugar duas ou três cassetes vhs do Spiderman e do He-man. Cheguei até a criar uma paixoneta pela Mary Jane Watson, mas que esqueci rapidamente, por achar que estava a trair o Peter Parker. Com o passar do tempo, familiarizei-me com os universos da Marvel e da Dc Comics, decorando os Super-heróis respetivos.  Mais tarde, descobri o cinema e, desde aí, nunca mais perdi um filme de Super-heróis. Primeiro na companhia do meu pai, mais tarde com os meus amigos e depois com a namorada. Agora, como a esposa não gosta de violência, tive de voltar aos amigos. Tudo isto para dizer que nunca mais me consegui livrar da doença e ainda hoje tenho acesas discussões com os meus companheiros sobre quem é o mais forte dos heróis. 

 

Tudo o que disser respeito a este universo interessa-me principalmente pelo elevado poder significativo, criativo e metafórico que estas estórias encerram. Um dia destes, dei de caras com uma música portuguesa que curiosamente remetia para este mundo e de uma maneira extremamente original. Pelo que me apercebi, é uma música não muito conhecida e posso até confessar que instrumentalmente falando não é das que mais me atrai, no entanto tem por base uma ideia bastante original. Jimmy Olsen é o fotógrafo do Daily Planet, o jornal onde Clark Kent trabalha e é um dos seus melhores amigos. É também o seu principal confidente e admira-o bastante. No entanto, contrariamente ao seu amigo, Jimmy Olsen não possui nenhum superpoder. É um mero humano. Ora é especificamente essa dimensão que a música de João Só explora, O lamento de Jimmy Olsen que se compara constantemente a Clark Kent. Ele só tem uma supercapacidade, a de amar, mas simultaneamente é super-tímido e não consegue articular esse amor. 

 

Tenho um "S" no peito
Por ser tão sentimental
Mas também tenho uma capa
Que uso para disfarçar.
O amor que eu não consigo articular

 

Gosto destas intertextualidades e destes diálogos que se estabelecem entre as artes, e, no fundo, todos nós nos conseguimos rever, nem que sejá só em parte, nos lamentos de Jimmy Olsen.

 

 

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