Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Trinta por uma linha

O porquê de eu gostar tanto da primavera.

Não vos vou mentir e dizer que a primavera sempre foi a minha estação preferida. Quando era mais novo, o verão estava no topo das minhas preferências. Eram as férias, a praia, o azul do mar, o tempo infinito para fazer o que se queria, os finais de tarde em companhia dos amigos deitados no campo sem fazer nada, simplesmente a olhar para o céu e a dizer o que nos vinha à cabeça. Era com o verão que sonhava o ano inteiro.

À medida que os anos vão passando, também nós vamos mudando. Acredito que, não sendo um aspeto positivo ou negativo, vamos apurando os nossos gostos, amenizando as paixões e tornando-nos mais harmoniosos naquilo que procuramos. E como tal, quando dei conta, já não passava o ano à espera do verão. Durante os meses de outono e inverno, dou comigo a desejar que chegue a mudança da hora e com ela a primavera. Gosto da temperatura amena, das flores que nascem, do sol que volta com mais força e dos campos que enverdecem. Mas, acima de tudo, gosto do que a primavera representa.

E, para mim, a primavera representa muito. 

Para começar representa o renascimento, o nascer de novo, com todas as novas possibilidades que isso acarreta. Simboliza, que após um período de menor fulgor, de retraimento e passividade do outono e do inverno, voltamos a sentir, pelo menos eu sinto, forças redobradas para me redescobrir e para melhorar o meu dia a dia. Volta a sensação de chegar a casa com o sol ainda alto, como que a dizer que ainda há muito para aproveitar no nosso dia, deixando no ar a promessa de que a seguir a esse, haverá outro igualmente belo. A primavera representa para mim, então, as infinitas possibilidades que nos são dadas para vencermos os nossos medos e receios, os nossos problemas e sofrimentos. Esta estação mostra que não há inverno que dure para sempre, não há noite que não acabe em dia, não há ramo seco, que não volte a florescer. 

Como cristão, a celebração da Páscoa e da ressurreição de Cristo ainda fortalecem mais este meu sentir, ainda dão mais força à esperança renascida e reforçada. 

No fundo, o florescer primaveril resgata a cor para a nossa vida, faz com que ganhemos novas ambições e rediscubramos antigos objetivos. Saibamos, assim, nós aproveitar esta época tão bela.

 

Fazendo justiça à fonte de inspiração deste texto, deixo-vos a cerejeira em flor que me acompanhou e inspirou na escrita deste texto, a partir da minha sala.

IMG_20170331_122521.jpg

 

Radioactive ou Elogio à ficção científica

9461831892_f2dab502cd_b.jpg

 

Como já tive oportunidade de confidenciar aos meus leitores, sou um grande fã de banda desenhada e todas as histórias que metam uma boa dose de ficção científica. Super-heróis, naves espaciais, novos mundos, universos paralelos, saltos temporais, tudo isso é música para os meus ouvidos.

Pois bem, por estranho que possa parecer é mesmo sobre uma música que venho falar hoje. Um música que me transporta completamente para esse mundo de fantasia da ficção científica. Sempre que a ouço revivo um sem número de histórias que vi, ouvi e que li e que fazem parte do meu imaginário. O que apresento, de seguida, não é mais que uma interpretação que faço da letra da música, sem querer de modo nenhum afirmar que seja esta a versão oficial. É apenas a minha. Tal como costumo dizer aos meus alunos, não há interpretações de textos artísticos (tenham eles a forma que tiverem) certas ou erradas, há sim, opiniões bem ou mal fundamentadas e justificadas. E é um pouco isso que tento fazer com esta letra. 

Radioactive, dos Imagine Dragons conta-nos uma história passada num futuro em que o mundo em que vivemos sofre uma mudança drástica. Presume-se que a terra tenha sofrido uma grande catástrofe que quase acabou com a humanidade, tendo poucos sobrevivido. Um desses poucos sobreviventes, o protagonista da história, desperta no início da música e descreve-nos cenário pós-apocalítico que vê, um mundo cheio de pó e cinzas, com uma temperatura que o faz soar e com uma atmosfera que o obriga a respirar substâncias químicas que andam pelo ar. Apesar deste cenário negro e deprimente, o protagonista descobre que esse mesmo cenário vai permitir que ele comece de novo, tome as suas decisões e se sinta, de novo, livre.Por isso ele nos dá as boas vindas à nova era que está a começar, pois o sol continua a brilhar e isso significa que apesar de tudo de mal que tenha acontecido, há um novo dia que vai permitir que tudo comece e que tudo seja feito de novo.

Por muito negro que o futuro pareça, há sempre esperança, há sempre novos horizontes por descobrir, novos projetos para traçar e novas metas para alcançar. E, por isso, eu gosto tanto destas histórias que não passam de estórias e que, supostamente, nada tem a ver com a realidade, mas que ao mesmo tempo nos ensinam tão importantes lições sobre essa mesma realidade. Bem-haja a criatividade e a ficção científica!

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Categorias

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D