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Trinta por uma linha

Arte? Mas que arte?

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Sempre tive uma opinião muito bem definida no que à génese de qualquer obra de arte diz respeito. A literatura, que é de todas as artes aquela que mais me alicia, não foge à regra. A meu ver, mesmo aceitando que toda e qualquer criação do homem é, de facto, influenciada pela sua vida, pela sua capacidade para ler e desconstruir a realidade, é de todo desprovido dizer que a relação entre estas duas dimensões, a do sujeito que vive e a do sujeito que cria, assume uma disposição de causa-efeito. Não há nada mais injusto e injurioso para o mundo das artes. A Arte tem vida própria. Só pode ser vista como algo que nos ultrapassa. Não é instrumento de nada nem de ninguém. Nunca a Arte pode servir como meio para algo, não tem meio nem fim, é um prefácio que serve unicamente a Beleza, sendo aí que encontra o seu prólogo e o seu epílogo. Assim, não somos nós que criamos a Arte, é ela que nos cria, que nos escolhe e deixa que a possamos contemplar, de forma a que não nos seja tão difícil viver. Desta forma, na literatura ou em qualquer outra arte, não pode haver deveres ou coacções, tudo aparece quando tiver de aparecer, sem marcações ou datas de entrega. As nossas produções precisam de ser livres e libertinárias, pois só assim serão elas próprias. Obviamente que haverá quem não concorde comigo, e ainda bem que assim é. Porque cada um vive de acordo com a sua própria crença (entenda-se aqui crença como um conjunto de sentimentos que, pela sua força, se tornam as convicções que acabam por definir a nossa forma de viver) e esta é a minha. Desta forma, escrevo quando acordo bem disposto, só leio quando o tempo metereológico me diz que devo ler e só quero ouvir música quando as Três Marias estão alinhadas.
Acredito em Musas, intentos, vontades e alentos, porque de cada vez que me sento para escrever algo, é porque me sinto predisposto para o fazer, sinto um querer determinado a sair e a respirar com mais espaço. A Inspiração é para mim um axioma, assim como um verdadeiro dogma que me mantém refém durante a maior parte do tempo e que, de quando em vez, me deixa ver, ainda que de muito longe, a luz que me vai permitindo contemplar a tal Beleza.

O que as nossas amizades revelam de nós

AJUDAR E SER AJUDADO.jpg

 

Miguel de Unamuno dizia que "cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmos. " Ainda que a considere algo egoísta, gosto desta perspetiva de olharmos as nossas relações de amizade. Quando estou com os meus amigos, vou-me conhecendo a mim próprio e isto acontece, porque a forma como nos relacionamos com eles diz muito da nossa personalidade. Se somos capazes de manter relações duradouras e que permanecem ao longo dos anos, quer dizer que somos pessoas que persevamos os laços que nos unem e que não é a distância ou qalquer outro tipo de vissicitude que nos vão afastar. Por outro lado, se precisamos de um amigo que seja o nosso balde do lixo, isto é, que seja o recipiente de todos os nossos problemas e lamentações, estamos a demonstrar um profundo egoísmo da nossa parte. Não estamos a dar importância à pessoa em si, mas ao que ela representa para nós. Por outro lado, esse amigo que aguenta as nossas queixas, dando-nos conselhos e nunca falando dos seus problemas, demonstra uma grande dose de altruismo. Outros casos há em que as amizades revelam, em nós, facetas que nós desconhecemos, tal como Unamuno refere. Todos temos amigos que revelam qualidades que nós admirámos profundamente. De tal forma que os queremos imitar. Numa situação que se passou comigo, tenho um amigo que mostrou ser possuidor de uma grande resistência e resiliência ao levar a cabo um projeto bastante complexo. Silenciosamente, eu admirava a persistência que ele colocava nesse seu projeto e que fazia com que, apesar das adversidades, ele não desistisse. Ora eu quis saber se possuía uma resistência semelhante à do meu amigo. Decidi, então, levar a cabo esta empreitada de começar um blog onde colocasse um post por dia e até agora ainda não me desiludi. 

Há uma razão para estar a falar disto, nesta data. O blog celebra hoje o seu primeiro mês de existência e eu descobri, através de uma das minhas amizades, que também possuo alguma persistência, pois consegui publicar até hoje trinta e um posts. É uma experiência nova, trabalhosa, mas, ao mesmo tempo, enriquecedora e reconfortante, pois permite-nos partilhar os nossos pensamentos, opiniões e crenças.

 

Aos que me vão acompanhando, obrigado pela fidelidade e também persistência que vão demonstrando ao suportar as contendas da minha alma.

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